DANÇA INERENTE

Aninha e Júlia
Angra dos Reis, 2009
Foto: Inês Correa

O título acima parte do fato de que a imagem interpretada pela foto abaixo (das meninas na praia) manifesta uma dança que denomino inerente porque parece natural, desenvolvida sem cultura, ao menos, dirigida.

Não sou a pessoa mais indicada para falar de dança. Existem conhecedores do assunto. Estou procurando conhecer mas tenho consciência de que ainda estou dançando bastante.

Desde que o mundo é mundo e bem antes de ser imundo, a dança já fazia parte de diversas culturas: uma manifestação da antiguidade. Ao lado, outras artes: o teatro, a música e a pintura.

A fotografia é nova, veio bem depois. Posso estar enganada no que vou escrever. Falta conhecimento teórico. O que me envolve, que me instiga na dança é utilizar o próprio corpo como mídia. Assim como o teatro usa a fala e a música (canto), a voz.

A pintura deve ter sido a primeira a utilizar uma mídia (externa). Por favor, se estiver errada e alguém estiver lendo, me ajude. Mas fico pensando que para talhar uma pedra de uma caverna já era preciso uma pedra ou um pequeno pedaço de pau – coisa que é fantástica.

Não pretendo dar mais valor a uma ou outra manifestação artística. Toda mídia, do corpo ou externo a ele, pode transformar-se em arte ou não. Escrevo aqui o que penso. E penso que para mim a dança acrescenta na maneira como olho a vida, assim como a fotografia. Uma complementa a outra.

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REVELANDO POSTURAS

Fotografia e Direito Autoral
Dança e sustentabilidade

Nunca fui muito de fazer política. Mas tem quem diga que sempre olhei pra vida como se fosse uma luta de classes. Não tem como negar. Já dentro da sala de aula, na escola, a classe se divide. Há também a diferença de classe econômica, social, cultural e política. Tem gente que luta até porque tem uma cor diferente do outro ou porque acredita em um Deus ou não. No esporte a luta se dá de forma competitiva – ganha quem chega mais rápido, ou quem bate mais forte.

Sobreviver é antes de tudo lutar, pacificamente ou não. E para se fazer uma luta é preciso aliados, grupos pensantes ou ações isoladas.

Porque falar sobre postura política num blog de fotografia e dança que propõe uma leitura do corpo em imagem? Algumas atitudes que aconteceram no início de outubro me levaram a refletir sobre o assunto “postura política” no mercado de trabalho. Uma isolada outra coletiva, na fotografia e na dança respectivamente.

Fotografia e Direito Autoral

O primeiro procedimento politicamente correto li no blog Tramafotografica, da querida Simonetta Persichetti, no dia 2 de outubro. É interessante ler na íntegra. O título do post era Carta aberta de Patrícia Gouveia. Na carta enviada à produção do Prêmio FOTOARTE 2009, Patrícia Gouveia abdica da Menção Honrosa que recebeu porque não concordou com a redação do termo de cessão de direitos de imagem que sofreu uma alteração – duas cláusulas que não constavam do regulamento foram incluídas e elas ferem os direitos autorais dos fotógrafos.

Dança e sustentabilidade

A segunda ação que ocorreu foi o encontro coletivo do Oxigênio, no Desaba, de Thelma Bonavita e Cristian Duarte. A proposta inicial é “fazer um diagnóstico da situação atual da sustentabilidade da produção de dança contemporânea”. A reunião de ontem contou com dois oxigenadores – Helena Katz, professora da PUC-SP e crítica de dança do jornal O Estado de São Paulo e André Fonseca, diretor da Projecta e consultor de planejamento e gestão de ações culturais – Cultura em Pauta.

André Fonseca, apresentou um quadro sério sobre a situação da dança em São Paulo, em termos de números, de público e de modelos de produção. Falou sobre formação de platéia e captação de recursos. Enquanto isso Helena Katz implorou: “hoje não é possível trabalhar cultura sem economia”. Enfatizou a urgência de vincular cultura e economia e começou propondo uma Agenda de Tarefas como ponto de partida para levar a dança contemporânea para o mercado de trabalho.

Precisamos rever nossas posturas.

Placar final da partida: Tempo bom para a fotografia e a dança.

São Paulo, 2009
Fotografias do evento: Inês Correa

Reflexões pessoais sobre fotografia e dança

Na primeira vez que apareceu na minha vida a fotografia foi uma adoração de menina que cresceu e se desfez quando da necessidade de tratar o desenvolvimento sustentável no Litoral Sul Paulista. Quando a televisão me levou a decifrar essas questões um clic não bastava. Precisava ser narrado e descrito, com direito a som e videoclip, entrevistas e idéias que de novas agora circulam velhas mas não resolvidas.

A fotografia chegou e despertou em mim pela segunda vez uma vontade de retratar. Não só mas também descrever. Até quase conseguir interpretar. Com ela apareceu a dança que me fez paralisar e rever a leitura escrita na luz. Revelou o movimento. Nela mesma e no todo.

Maria Clara e Júlia.
São Paulo, 2009.
Foto Inês Correa

Quanto fotografar

Na hora de entregar as fotos a pessoa olhou para mim e disse: “Cinquenta fotos?”. Respondi que sim e pedi desculpas pelo número tão grande porque sabia que deveria representar o acontecimento em um único quadro mas que ali tínhamos um documento interessante. Acrescentei que não tinha conseguido mas que provavelmente se buscássemos saberíamos qual delas era a melhor foto para descrever o acontecimento. Para minha surpresa a pessoa disse: “não, eu acho pouco. Esperava 300 a 400 fotos”.

Pavio curto que sou respondi sem pensar, no impulso: “Quatrocentas? Desculpe, mas se você pretendia ter um número tão grande de imagens para definir um evento tão pequeno deveria ter contratado alguém para filmar”. E disparei: “Porque fotografamos? Fazemos fotos para recordar, para ter a memória de um fato. Os acontecimentos terminam e a fotografia fica. E o mais importante é a quantidade de informação que uma fotografia contém, não a quantidade de fotos que fazemos de uma mesma situação. Não que isso não seja possível. Podemos documentar e ter como resultado uma série, como temos aqui. Um grupo de cinquenta imagens. Mas num único quadro é possível interpretar um acontecimento. A fotografia captura um instante, põe em evidência um momento, é testemunho…

Bom, vale lembrar que foi o último trabalho que fizemos junto. Mas é gostoso recordar algumas passagens que parece que temos que enfrentar vez ou outra. Uma delas é essa: quando alguém nos contrata para fazer um trabalho e conhece pouco sobre o tipo de pedido que está fazendo. Ou pensa que a melhor forma é com uma determinada arma mas não tem certeza de como aquilo tudo funciona.

Clicar ou não clicar

CLICAR OU NÃO CLICAR

Não sei, nunca sei direito o que me leva a fazer uma ou outra foto. Muitas vezes acho até que fotografar é um ato obsessivo. Mas cá entre nós trata-se de um ato ou ideia fixa que não causa nenhum mal a ninguém, não é mesmo? Então, continuo. Além do mais hoje em dia todo mundo fotografa muito. A fotografia digital é quase uma febre universal globalizada. Eu, acho ótimo.

Mas saber fotografar não é mais alguma coisa que deve ser vivida somente por aqueles que querem se profissionalizar. Fotografar melhor pode e deve ser encarado como uma necessidade para o mundo atual. Caso contrário estaremos sujeitos a cansar do ato de ver imagens. Porque são tantas e tantas imagens que vemos!

Outro dia, não lembro bem com quem nem onde nem quando eu estava conversando e alguém me perguntou se quando eu fotografava fazia muitas ou poucas fotos. Eu respondi que poucas. Daí me perguntaram porque. Eu disse que primeiro olho e só faço o movimento dos dedos no disparador da câmera quando sinto que devo. O olhar me leva ao movimento. Me disseram: “Ah, porque existem alguns fotógrafos que fazem muitas fotos, parece que estão com uma metralhadora na mão. Você não é assim?” Eu voltei a dizer que eu não clicava assim. E me perguntaram: “Mas daí você não deixa de clicar muita coisa?” Eu disse que sim. E é verdade, muitas vezes eu vejo alguma coisa acontecendo na minha frente e não tenho o impulso de fazer a foto. Acontece até de me arrepender. Mas passa rápido, então considero que não era aquela foto que eu queria fazer.

Cada foto que eu faço foi porque pensei nela, olhei pra ela, sei lá… Eu vi primeiro. No final da conversa me classificaram como atiradora de elite… Eu observei: sou obsessiva mas não sou ansiosa. Mas se tudo tem que ser classificável, acho que estou mais pra pescador. Eu lanço a isca pro rio e fisgo o peixe pra comer. E quando não vou comer pesco e devolvo pro rio só pra me divertir.

Demorou

O Corpo em Imagem já estava acontencendo de maneira “oculta” há alguns meses. Mas na última semana minha amiga Neide Rigo (querida), me disse: e aí Inês, quando vai colocar suas idéias no ar. Eu dei uma desculpa. Não colou. Procurei mais uma e nada. Ela não é muito fácil. Mas continuei tentando. E fui trazendo um bombardeio de desculpas esfarrapadas. Não teve jeito. Daí eu postei o blog, tirei ele do armário.

Mas não sou de escrever muito. A Neide “descreve” diariamente, pesquisa intensamente. Não poupa trabalho. Eu nem tanto. Então o que pode acontecer é um terremoto de fotos de uma só vez e depois sombra e água fresca por diversos dias. Assim que eu funciono. E também pode acontecer de eu começar a escrever e achar que ainda não devo postar e… Enfim, tudo é possível. Como é pra mim, pra você e pra qualquer um.

Por exemplo, tinha escrito esse texto no sábado e não coloquei no ar. Fui ver as novidades da Neide e lá encontrei um texto dela sobre o meu blog, pode? A Neide é plugada, antenada, 220 volts. É assim… E ela diz que eu demorei e fala um monte de coisas lindas e tudo mais. Obrigada Neide, mas você tem razão, eu sou caipira mesmo, desplugada, minha antena é daquelas que tem que ir lá no telhado dar uma mudada de posição pra ver se sintoniza. E a voltagem nem te conto…

Bom, melhor eu publicar logo antes que o tempo… Nossa, hoje é terça-feira!